ATOXOPLASMOSE (Isospora spp) em CANÁRIOS DO REINO (Serinus canaria)  E  BICUDOS (Oryzoborus maximiliani), NA REGIÃO  DE   FRANCA-SP

Maristela Furlan Rocha 1, Karin Werther2

1 Médica Veterinária da CLÍNICA DE AVES - Franca-SP, furlanerocha@netsite.com.br;
2 Profa. Dra. do Departamento de Patologia Veterinária, FCAV-UNESP, Jaboticabal-SP, werther@fcav.unesp.br

RESUMO:

A atoxoplasmose é uma doença parasitária, que acomete Passeriformes, causada por um protozoário coccídeo denominado Isospora spp ou Atoxoplasma spp.

Trata-se de agente altamente patogênico, cujo ciclo inicia com a ingestão de oocistos esporulados.

Depois que os esporozoitos invadem as células intestinais eles se transformam em merozoitos, que podem seguir por dois caminhos distintos. Primeiro, ainda nas células do intestino geram macro e microgametócitos (reprodução sexuada), dando origem aos zigotos, que por divisão formam os esporozoitos, contidos nos oocistos, que serão eliminados com as fezes. Segundo, os esporozoitos invadem a corrente circulatória, parasitando células sanguíneas mononucleadas (linfócitos e monócitos) e chegando nos tecidos, tais como fígado, baço, pulmão, miocárdio, cérebro e musculatura esquelética, parasitam também macrófagos. Nas células parasitadas realizam a reprodução assexuada, gerando merozoítos.

No Brasil, até o momento, não se tem relatos oficiais de atoxoplasmose. O trabalho relata a ocorrência de surto de Atoxoplasma spp ( Isospora spp) em canários do Reino (Serinus canaria) e em bicudos (Oryzoborus maximiliani), na cidade de Franca, região nordeste do Estado de São Paulo.

Os bicudos apresentaram sintomatologia pouco definida, de início súbito e curso rápido (agudo/ superagudo), penas arrepiadas e apatia, vindo a óbito de  24-72 horas após o início dos sintomas, acometendo  aves jovens e adultos com mortalidade em torno de 80% (atendidos). Em Serinus canaria, os achados de necropsia foram hepatomegalia e esplenomegalia em 100% (8/8) das aves necropsiadas. Tanto nos exames de “Imprintings” (corados pelo método Panótico) como na histopatologia de fígado, baço, coração, pulmões e rins, foram observados merozoitas nos citoplasmas de macrófagos. Em Oryzoborus maximiliani, observou-se distensão de alças intestinais com hemorragias na mucosa. Os “Imprintings” e a histopatologia de fígado, baço e intestino revelaram a presença de merozoítos intracitoplasmáticos nos macrófagos.

Cabe aos profissionais da área a orientação quanto às medidas de controle da doença, pois até o momento não existe tratamento eficaz e as drogas coccidiostáticas não atuam nos parasitos dentro dos tecidos. O tratamento a base de sulfas (sulfachlorpyridazina é o tratamento de escolha na Europa) deve ser praticado em conjunto com controle higiênico-sanitário e medidas rigorosas para impedir a exposição das aves às fezes contaminadas (oocistos infectantes), já que a transmissão ocorre pela ingestão das mesmas.

 

Anais do X Congresso e XV Encontro da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens, p. 38- 2006.

Artigos Clínicos

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ATOXOPLASMOSE AVIÁRIA

Canários do Reino e Bicudos

Afecções Oftámicas

Relatos de afecções oftámicas em psitaciformes

Ovulação Ectópica

Ovulação Ectópica em Columbiforme

Ovulação Ectópica

Ovulação Ectópica em Columbiforme (ILUSTRADO)