OVULAÇÃO ECTÓPICA EM COLUMBIFORME (Streptopelia sp.)

Maristela Furlan Rocha 1, Karin Werther2

1 Médica Veterinária da CLÍNICA DE AVES - Franca-SP, furlanerocha@netsite.com.br;
2 Profa. Dra. do Departamento de Patologia Veterinária, FCAV-UNESP, Jaboticabal-SP, werther@fcav.unesp.br

 

A ovulação ectópica é caracterizada pela presença de folículos (gemas) na cavidade celomática.

Essa afecção pode surgir em decorrência de falhas do infundíbulo ao envolver o óvulo para conduzí-lo pelo oviduto onde ocorrerá a formação do ovo. As causas da ovulação ectópica podem ser várias. Na clínica a ave apresenta sintomatologia inespecífica e comportamento de postura, porém sem resultados. Na necropsia ou laparotomia exploratória a gema pode estar intacta ou espalhada na cavidade.

O caso aqui relatado é de uma pomba (Streptopelia sp.), apresentando prostração e inapetência há uma semana. Sua alimentação era à base de quirera de milho e ração para pássaro preto. Ao exame clínico observou-se apatia, mucosas pálidas e aumento de volume ventral de consistência firme. As radiografias nas posições latero-laterais e ventro-dorsais, tanto simples como contrastadas sugeriram aumento de volume parcialmente distinto das alças intestinais.

Foi realizado, somente a coleta de uma pequena quantidade de sangue, para realização de hematócrito e dosagem de proteína total. Os exames revelaram uma anemia profunda (Ht 16%) e uma hipoproteinemia (1,8g/dl). Institui-se inicialmente um tratamento de suporte nutricional com fornecimento de ração balanceada (Alcon) e vitaminas acompanhado de antibioticoterapia sistêmica, princípio ceftiofur - cefalosporina (nome comecial Excenel ®) 10 mg/Kg via intramuscular, cada 12 horas/ por 8 dias. O hematócrito e a dosagem de proteína total foram repetidos ao final desse tratamento sendo 52% e 3,8 g/dl, respectivamente.

A ave então foi submetido à laparotomia exploratória, sob anestesia com tiletamina/zolazepan na dose de 10 mg/ Kg IM e analgésico butorfanol, na dose de 0,40 mg/ Kg IM no início do procedimento. A incisão foi na linha mediana, sendo retirado uma massa não aderida, amarelada, arredondada, medindo 35x35 mm, de consistência firme e que envolvia uma alça intestinal. O fechamento da cavidade foi com sutura contínua em dois planos (muscular e tegumentar). A ave foi mantida em tratamento antibiótico por mais 8 dias e em seguida liberada, estando totalmente recuperada.

O exame histopatológico da massa revelou externamente a presença de tecido conjuntivo em formação. Internamente a massa era formada por camadas compostas por detritos celulares, colônias bacterianas, muitas hemácias e células inflamatórias mononucleares. Em algumas áreas observou-se início de calcificação e em outras, presença de lancetas de colesterol, comum no folículo. As colônias bacterianas podem ser oriundas da flora intestinal.

O caso mostrou que às vezes os cuidados pré-operatórios, incluindo a melhora do estado geral do animal talvez fossem mais importantes, do que o ato cirúrgico em si. A nutrição adequada é fundamental para o restabelecimento da saúde do animal, permitindo a realização de outros procedimentos.

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ALPZA SZB ABRAVAS (XVI Encontro da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens) – CONGRESSO TODOS PELA CONSERVAÇÃO - 2007

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